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MERCADO REAGE À REELEIÇÃO DE LULA: ATIVOS BRASILEIROS DESPENCAM NO EXTERIOR E DÓLAR DISPARA

há 11 minutos
7 min de leitura

Reação dos investidores reverte parte do rali eleitoral das últimas semanas; queda do ETF brasileiro nos Estados Unidos se aproxima de 20%, enquanto o mercado monitora os rumos da política fiscal e os próximos passos do governo.

Por Linda Borges | MOSTB — Portal de Notícias26 de outubro de 2026


A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um novo mandato presidencial provocou uma forte reação nos mercados financeiros internacionais. Na noite de domingo (25) e na madrugada desta segunda-feira (26), ativos brasileiros negociados no exterior registraram perdas expressivas, enquanto contratos futuros apontavam para uma acentuada desvalorização do real frente ao dólar.



O movimento reflete a mudança nas expectativas de investidores que, após o primeiro turno, haviam ampliado suas apostas em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com a confirmação do resultado eleitoral, parte dessas posições passou a ser revista, provocando uma onda de vendas e aumentando a volatilidade.

Segundo informações publicadas pela Bloomberg Línea, pela Exame e pela InfoMoney, o principal fundo de índice brasileiro negociado nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), chegou a apresentar perdas próximas de 20% nas negociações posteriores ao resultado eleitoral. Os números variaram conforme o horário de consulta e a modalidade de negociação.

A reação inicial também atingiu ações de grandes empresas brasileiras negociadas no mercado norte-americano, incluindo Petrobras, bancos e companhias de outros setores.

É importante esclarecer que essas cotações correspondem a negociações realizadas no exterior e não representam, necessariamente, o desempenho final do mercado brasileiro no pregão regular desta segunda-feira.


O que aconteceu com os ativos brasileiros?

1. EWZ: queda expressiva no mercado norte-americano

O EWZ é um fundo negociado em bolsa que busca acompanhar o desempenho de ações brasileiras, por meio de um índice de referência do mercado nacional.

Após a confirmação da reeleição de Lula, o fundo registrou queda acentuada nas negociações realizadas nos Estados Unidos. A Exame informou que as perdas chegaram a aproximadamente 19,6% em determinado momento da madrugada.

O movimento sinaliza uma revisão rápida das posições de investidores que haviam comprado ativos brasileiros apostando em um cenário político diferente.

Entretanto, a variação de um ETF negociado no exterior não equivale automaticamente à mesma queda do Ibovespa. Horários de negociação, liquidez, composição da carteira, câmbio e diferenças entre os mercados podem influenciar os preços.

2. Petrobras, Vale e bancos também sentem a pressão

Os recibos de ações de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos, conhecidos como ADRs (American Depositary Receipts), também registraram desvalorizações.

Na noite de domingo, os ADRs da Petrobras chegaram a cair cerca de 12% em determinadas referências de mercado, enquanto os da Vale apresentaram perdas próximas de 4%. Em atualizações posteriores, algumas empresas registraram oscilações ainda maiores.

As quedas não foram uniformes. Empresas exportadoras, por exemplo, podem receber efeitos diferentes da desvalorização cambial, enquanto bancos, varejistas e companhias dependentes do crédito são influenciados por outros fatores econômicos.

Isso significa que a reação não deve ser interpretada como uma avaliação idêntica de todas as empresas brasileiras, mas como um movimento de ajuste de preços diante de novas expectativas.

3. Dólar dispara e o real perde força

O mercado cambial também reagiu ao resultado eleitoral.

Segundo a Bloomberg Línea, contratos futuros negociados em Chicago chegaram a indicar o dólar em patamares próximos de R$ 5,60, com forte desvalorização do contrato futuro de real.

Essas referências precisam ser interpretadas com cuidado: contratos futuros e derivativos não equivalem à cotação comercial à vista, e seus preços podem oscilar de forma acentuada em períodos de menor liquidez.

Ainda assim, o movimento sinaliza aumento da procura por proteção cambial e uma revisão das expectativas para os ativos brasileiros.

Quando investidores elevam a percepção de risco de um país, podem reduzir sua exposição à moeda local e buscar ativos considerados mais seguros. Esse processo tende a pressionar o câmbio e pode afetar as condições de financiamento da economia.

Por que o resultado eleitoral influenciou tanto o mercado?

O mercado financeiro não reage apenas ao resultado de uma eleição, mas à diferença entre o resultado efetivo e aquilo que os investidores esperavam.

Nas semanas anteriores ao segundo turno, a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro havia impulsionado determinados ativos brasileiros. Parte dos investidores esperava mudanças na condução da política econômica, especialmente em relação ao controle das despesas públicas, à trajetória da dívida e às perspectivas para os juros.

Com a reeleição de Lula, essas expectativas foram revistas.

O movimento é conhecido no mercado como reversão do trade eleitoral: investidores desfazem posições construídas em torno de um cenário político que não se confirmou.

Isso pode gerar vendas concentradas em um intervalo curto, principalmente quando muitos participantes do mercado estão posicionados na mesma direção.

A intensidade da reação, portanto, está relacionada tanto ao resultado eleitoral quanto ao volume de apostas acumuladas antes da votação.

O principal temor: política fiscal e dívida pública

Entre os fatores que podem influenciar a trajetória dos ativos brasileiros nos próximos meses está a política fiscal.

Investidores acompanham a capacidade do governo de equilibrar receitas e despesas, controlar a evolução da dívida pública e estabelecer regras previsíveis para os gastos.

Quando aumenta a percepção de que a dívida poderá crescer sem uma trajetória sustentável, o mercado pode exigir juros mais elevados para financiar o governo. Esse movimento também pode elevar o custo do crédito para empresas e famílias.

Taxas de juros mais altas tendem a pressionar setores que dependem de financiamento, como varejo, construção civil e parte da indústria. Além disso, podem reduzir o valor presente dos lucros futuros das empresas, afetando suas avaliações na Bolsa.

A questão, porém, não se resume ao resultado eleitoral. A reação inicial expressa expectativas, não uma confirmação de que determinada política econômica será necessariamente adotada.

As decisões do governo, a composição de sua equipe econômica, a relação com o Congresso e a evolução das contas públicas serão determinantes para avaliar se a turbulência terá caráter temporário ou persistente.

O que esperar da abertura da B3?

A expectativa para o pregão desta segunda-feira é de volatilidade elevada, considerando a intensidade das perdas observadas nos ativos brasileiros negociados no exterior.

O comportamento efetivo do Ibovespa, entretanto, só poderá ser avaliado com base nas negociações realizadas no mercado brasileiro durante o horário regular.

Caso a pressão vendedora se confirme, investidores deverão acompanhar o comportamento das ações de maior peso no índice, a variação do dólar e dos juros futuros, além do volume financeiro negociado.

Também será importante observar se a queda se concentra em setores específicos ou se alcança de maneira generalizada as empresas listadas.

Em cenários de forte estresse, a B3 dispõe de mecanismos de interrupção temporária das negociações, conhecidos como circuit breakers. A aplicação desses mecanismos depende dos critérios e limites previstos nas regras operacionais da Bolsa; a queda registrada no exterior, isoladamente, não significa que uma interrupção ocorrerá no mercado brasileiro.

A reação inicial não determina o desempenho dos próximos anos

Uma queda expressiva em uma sessão não permite concluir, por si só, qual será o desempenho futuro da economia ou da Bolsa.

Os preços dos ativos refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros, resultados empresariais, câmbio e risco político. Essas expectativas mudam conforme novas informações são incorporadas ao mercado.

A desvalorização inicial pode ser seguida por novas quedas, recuperação parcial ou estabilização, dependendo dos acontecimentos seguintes.

Além disso, o Brasil possui setores com características distintas. Empresas exportadoras, bancos, companhias de energia e negócios voltados ao consumo doméstico não respondem da mesma maneira às alterações cambiais e às expectativas sobre juros.

Por isso, a leitura mais consistente exige acompanhar a evolução dos preços, os fundamentos econômicos e as decisões efetivamente adotadas pelo governo, sem confundir a reação imediata dos investidores com uma previsão definitiva.

O que o investidor deve observar nesta segunda-feira?

Os principais indicadores a acompanhar são:

  • Ibovespa: para verificar a reação efetiva das ações negociadas na B3.

  • Dólar à vista e futuro: para avaliar a pressão sobre o real e a demanda por proteção cambial.

  • Juros futuros: para observar mudanças nas expectativas de inflação, risco fiscal e política monetária.

  • EWZ e ADRs: para comparar o comportamento dos ativos brasileiros no exterior com o mercado doméstico.

  • Comunicados do governo: para identificar sinalizações sobre política fiscal, orçamento e equipe econômica.

Investidores devem considerar também seus próprios prazos, objetivos e tolerância a riscos. Decisões tomadas exclusivamente com base em movimentos abruptos de preços podem ampliar perdas, sobretudo em momentos de baixa liquidez e elevada incerteza.

Conclusão: o mercado cobra previsibilidade

A forte queda dos ativos brasileiros no exterior após a reeleição de Lula evidencia como as expectativas políticas podem influenciar os preços dos investimentos.

A reversão de posições construídas antes do segundo turno, a pressão cambial e as preocupações com a trajetória fiscal ajudam a explicar a reação inicial dos investidores.

O próximo capítulo dependerá menos das apostas feitas durante a campanha e mais das decisões econômicas que serão tomadas a partir de agora.

Para o mercado, a previsibilidade das regras, a sustentabilidade das contas públicas e a clareza sobre a condução da economia serão elementos centrais para determinar a confiança dos investidores.

A abertura da B3 nesta segunda-feira fornecerá uma primeira referência sobre a dimensão do ajuste no mercado doméstico. Já a persistência do movimento dependerá dos dados econômicos, das decisões governamentais e da capacidade de reduzir as incertezas que cercam o novo ciclo político.


Fontes consultadas

Nota de atualização: os percentuais apresentados correspondem a registros publicados em diferentes horários das negociações no exterior e podem variar ao longo do pregão. A matéria não atribui todas as oscilações exclusivamente ao resultado eleitoral, pois preços de ativos também respondem à liquidez, às condições internacionais e às expectativas econômicas.


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