Amazônia em Chamas: Crise Climática e Impasse Político Marcam Emergência no Amazonas

Amazônia em Chamas: Crise Climática e Impasse Político Marcam Emergência no AmazonasMANAUS – O avanço avassalador dos incêndios florestais e a estiagem severa colocaram o estado do Amazonas em uma das crises ambientais mais graves dos últimos anos. Sob o impacto de uma seca rigorosa que castiga a Região Norte, o Governo Federal reconheceu o estado de emergência em 36 municípios amazonenses. A medida, homologada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional poucas horas após o decreto estadual assinado pelo governador Roberto Cidade, visa acelerar a liberação de verbas e o envio de ajuda humanitária para combater as frentes de fogo que cercam a floresta.
Paralelamente à crise climática, o cenário ganhou contornos de impasse político entre as administrações estadual e federal sobre a condução e o envio de recursos. Na última sexta-feira (9), o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou publicamente que a Secretaria Nacional de Segurança Pública havia negado o envio de quatro aeronaves solicitadas em setembro para combater focos de incêndio em áreas remotas e de difícil acesso. Diante da negativa oficial, o governo do Amazonas informou ter contratado de forma direta uma aeronave potente utilizando mais de R$ 2,1 milhões de recursos próprios para suprir a carência de suporte aéreo.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ibama contestaram imediatamente a versão de negligência. Em nota oficial, a pasta federal esclareceu que o apoio federal já vinha operando ativamente na região com 250 profissionais e rebateu afirmando que, no dia 30 de setembro, o próprio governo do Amazonas dispensou equipes terrestres integradas de resposta a desastres antes que se deslocassem ao campo. A justificativa do Executivo estadual na época teria sido de que chuvas pontuais haviam amenizado o fogo. Para selar o alinhamento operacional e encerrar as divergências públicas, uma comitiva de representantes do governo federal desembarcou em Manaus neste fim de semana para coordenar o envio imediato de uma nova frota de seis aeronaves federais de reforço (quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros) junto a mais 290 brigadistas.
Enquanto os governos tentam alinhar as narrativas, os números do [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)] traduzem a urgência ambiental: somente em setembro, o número de queimadas no Amazonas quase quadruplicou, saltando de 942 registros em 2025 para 3.726 focos de incêndio. Nos primeiros dias de outubro, a tendência destrutiva se manteve, acumulando mais de 832 novos focos de calor. Nas linhas de frente, equipes de brigadistas do Ibama (Prevfogo) e militares estaduais atuam em condições extremas com sopradores e abafadores. O MMA informou que 229 incêndios já foram extintos desde o início do período crítico, mas pelo menos 20 grandes frentes de fogo permanecem ativas. Pelo terceiro dia consecutivo, uma densa nuvem de fumaça tóxica encobriu totalmente a capital, Manaus, empurrando a qualidade do ar para níveis péssimos e superando em mais de 700% o limite tolerável à saúde humana.
Texto mosrb.com
Imagem internet



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