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Rede empresarial da beleza e a polêmica ligação com a “Japa do PCC”

  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

A trajetória empresarial de Samara Pink, sócia de Virginia Fonseca, e a antiga sociedade com Karen Tanaka Mori, viúva do chefe do PCC na Capital Paulista.


Nos últimos dias vieram à tona reportagens revelando conexões empresariais entre Samara Cahanovich Martins, conhecida como Samara Pink, seu marido Thiago Stabile e Karen de Moura Tanaka Mori, empresária investigada pela polícia e conhecida como “Japa do PCC”. As informações surgiram após investigações jornalísticas que cruzaram registros empresariais, contratos sociais e dados públicos de CNPJ.

A polêmica ganhou repercussão porque Samara e Thiago fazem parte do grupo de empresários que fundaram a marca de cosméticos WePink, associada à influenciadora Virginia Fonseca, um dos nomes mais conhecidos do marketing digital brasileiro.



A origem da rede de beleza: Pink Lash

A história começa antes do surgimento da WePink.

Em 2017, Samara Cahanovich abriu em São Paulo um salão especializado em extensão de cílios, que recebeu o nome de Pink Lash. O negócio rapidamente se transformou em uma rede de franquias e chegou a operar diversas unidades na Grande São Paulo.

Uma das empresas vinculadas à estrutura do negócio foi registrada com o CNPJ: Samara Cahanovich Martins – CNPJ 19.825.203/0001-45. Fundação: 06 de março de 2014. Atividade: serviços ligados ao setor de beleza e estética. Baixada em 01/02/2018.


Segundo registros empresariais e reportagens investigativas, o crescimento da Pink Lash ocorreu por meio de várias empresas criadas entre os sócios para gerir unidades, franquias e serviços de treinamento.


Em meio a isso tudo, aparece um nome,

Sociedade com Karen Tanaka Mori (“Japa do PCC”)

Investigações jornalísticas indicam que Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”, participou da estrutura societária da Pink Lash junto com Samara Pink e Thiago Stabile.


A relação empresarial teria ocorrido entre 2017 e 2021, período em que Karen participou de pelo menos quatro empresas ligadas ao negócio de cílios e estética.

De acordo com declarações do advogado da própria Karen, a sociedade entre as empresárias começou antes da expansão da franquia e permaneceu ativa por vários anos:

“Karen e Samara iniciaram a sociedade e fundaram a Pink Lash… ficaram juntas até 2021.”

Durante esse período, o negócio expandiu rapidamente e chegou a abrir várias unidades na capita paulista e no ABC. Com o crescimento acelerado, Thiago Stabile, entra na sociedade. Outro personagem central nessa estrutura empresarial.

Ele entrou oficialmente na sociedade da Pink Lash em 2018, passando a administrar parte das unidades e empresas ligadas à rede.


O trio: Samara, Thiago e Karen, passou então a dividir participação em várias empresas relacionadas ao negócio de beleza, que incluíam:

  • franquias de extensão de cílios

  • treinamento profissional

  • comercialização de produtos


Fase inicial – Estrutura empresarial de Samara (2014–2016). Primeira empresa identificada ligada a Samara Pink:

Samara Cahanovich Martins ME

  • CNPJ: 19.825.203/0001-45

  • Data de abertura: 06/03/2014

  • Atividade: serviços de estética e beleza.

Essa empresa precede a criação da rede de extensão de cílios.

Fundação da rede Pink Lash (2017)

Negócio iniciado em São Paulo com foco em:

  • extensão de cílios

  • design de sobrancelhas

  • cursos profissionalizantes

Sócias iniciais:

  • Samara Pink

  • Karen Tanaka Mori

Posteriormente entra:

  • Thiago Stabile

A empresa rapidamente se transforma em rede de franquias.

Expansão empresarial (2018–2020)

Durante a expansão foram criadas várias empresas associadas ao negócio.

Empresas identificadas

Pink Lash Studio de Beleza Ltda

  • área: serviços de beleza

  • participação: Samara Pink

Pink Lash Studio de Beleza e Comércio

  • área: franquias e produtos

  • participação: Samara Pink / Thiago Stabile

Pink Lash Treinamentos

  • área: formação profissional para franqueados

  • cursos de extensão de cílios.

APS Lashes Estúdio de Beleza

  • capital aproximado: R$ 100 mil

Help Lash Serviços

  • empresa ligada ao suporte técnico da franquia.

TS Infinity Franchising

  • voltada à expansão do modelo de franquia.

CS Participações

  • empresa estruturada como holding societária.


Segundo levantamentos, o conjunto dessas empresas chegou a ter capital social superior a R$ 1,4 milhão.

Estrutura societária compartilhada

Entre 2018 e 2020, as empresas tinham:

  • sócios comuns

  • endereços semelhantes

  • estrutura administrativa compartilhada.

Isso é comum em redes de franquias.


Após a morte do marido (2018), Karen teria aberto KK Participações. Empresa apontada em investigações policiais como possível instrumento para:

  • movimentação patrimonial

  • gestão de ativos financeiros.


A sociedade entre Samara Pink e Karen Mori termina aproximadamente em 2021.

Segundo declarações da defesa de Karen Mori: ela teria vendido sua participação nas empresas da rede Pink Lash.


Após o fim da sociedade surge a empresa WePink Cosméticos (cosmético, perfumaria, e skincare). Fundação: 2021 e tendo como sócios :

  • Virginia Fonseca

  • Samara Pink

  • Thiago Stabile

  • Chaopeng Tan


A empresa cresce rapidamente com vendas online e marketing digital.

Estrutura empresarial simplificada

2014│├── Samara Cahanovich Martins ME│2017│├── Pink Lash (rede de cílios)│      ├── Samara Pink│      ├── Karen Tanaka Mori│      └── Thiago Stabile│2018–2020│├── Pink Lash Studio├── Pink Lash Treinamentos├── APS Lashes├── Help Lash Serviços├── TS Infinity Franchising└── CS Participações│2021│└── WePink Cosméticos       ├── Virginia Fonseca       ├── Samara Pink       ├── Thiago Stabile       └── Chaopeng Tan

Em 2024, Karen Mori foi presa em operação policial por suspeita de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Durante a operação foram apreendidos:

  • mais de R$ 1 milhão em dinheiro

  • US$ 50 mil

  • veículo de luxo.

Posteriormente a Justiça concedeu prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.


O cruzamento de dados mostra três fases distintas:

Fase 1

Empreendimento inicial de estética de Samara (2014).

Fase 2

Expansão da rede Pink Lash com participação de:

  • Samara Pink

  • Karen Mori

  • Thiago Stabile.

Fase 3

Criação da WePink em 2021, já sem participação de Karen Mori.


Quem é Karen Tanaka Mor e qual o seu envolvimento com o PCC?

Karen Tanaka Mori ficou conhecida nacionalmente após investigações policiais relacionadas ao crime organizado.

Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado pela Polícia Civil como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista.

Após a morte dele, ocorrida em 2018, Karen passou a administrar parte do patrimônio ligado ao companheiro.

Segundo investigações, ela teria aberto a empresa KK Participações e realizado movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda declarada.

A empresária voltou ao noticiário policial em fevereiro de 2024, quando foi presa em uma operação que investigava lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Durante a operação foram apreendidos:

  • mais de R$ 1 milhão em dinheiro

  • cerca de US$ 50 mil

  • um veículo de luxo.

Posteriormente ela passou a cumprir prisão domiciliar com medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e comparecimento periódico à Justiça.


Enquanto isso, o negócio iniciado na Pink Lash evoluiu para outro empreendimento. Em 2021, Thiago Stabile e outros empresários fundaram a empresa de cosméticos WePink, posteriormente associada à influenciadora Virginia Fonseca.

A marca cresceu rapidamente no mercado de beleza e se transformou em um fenômeno de vendas online.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, o faturamento chegou a centenas de milhões de reais nos últimos anos.


Reportagens apontam que a Pink Lash foi o ambiente de origem do projeto que daria origem à WePink, já que parte dos produtos e da estrutura de distribuição surgiu inicialmente dentro da rede de franquias de cílios.

Segundo registros empresariais:

  • algumas empresas ligadas aos sócios funcionavam nos mesmos endereços das unidades da Pink Lash

  • várias sociedades foram criadas entre 2018 e 2020 para expansão do negócio.


Samara Pink ou Thiago Stabile relacionada às investigações criminais envolvendo Karen Tanaka Mori não comentaram até o momento sobre o caso.

A polêmica envolvendo a antiga sociedade entre Samara Pink, Thiago Stabile e Karen Tanaka Mori evidencia como o crescimento acelerado de empresas do setor de beleza e influência digital pode envolver redes complexas de negócios.

Os registros públicos mostram que os empresários compartilharam empresas entre 2017 e 2021, período anterior à consolidação da marca WePink.

Embora Karen Mori esteja atualmente sob investigação criminal, não há indicação de que os atuais sócios da WePink estejam envolvidos nas investigações.

A repercussão do caso, no entanto, reforça a atenção crescente da imprensa e das autoridades sobre a origem e a estrutura societária de empresas que se expandem rapidamente no mercado brasileiro de cosméticos e franquias de estética.


Transparência financeira no setor de cosméticos: por que a ausência de auditoria pública gera questionamentos

Nos últimos anos, o mercado brasileiro de cosméticos passou por uma transformação acelerada impulsionada por marcas digitais, influenciadores e vendas diretas pelas redes sociais. Entre as empresas que ganharam destaque nesse cenário está a WePink, criada em 2021 e associada à influenciadora Virginia Fonseca e a outros sócios do setor de beleza.

A marca cresceu rapidamente e, segundo declarações públicas de seus fundadores e reportagens da imprensa, teria alcançado faturamento de centenas de milhões de reais em poucos anos. No entanto, como ocorre com a maioria das empresas privadas brasileiras, não existe divulgação pública de auditorias financeiras independentes ou balanços detalhados que confirmem esses números.


Essa situação levanta um debate recorrente no mercado: até que ponto empresas que movimentam grandes volumes financeiros deveriam divulgar auditorias externas para garantir transparência?


Nos últimos anos, o setor de cosméticos se tornou um dos mais dinâmicos da economia brasileira. Marcas tradicionais dividem espaço com empresas criadas diretamente no ambiente digital, muitas delas associadas a influenciadores.

Nesse modelo, o crescimento costuma ocorrer através de:

  • marketing em redes sociais

  • campanhas com influenciadores

  • e-commerce direto ao consumidor

  • lançamento constante de novos produtos.

Esse formato permite expansão rápida, mas também torna mais difícil para o público externo avaliar a real dimensão financeira das empresas, já que grande parte das informações permanece privada.


Diversas reportagens e entrevistas citam que a WePink teria atingido faturamentos elevados poucos anos após sua criação. Contudo, esses números são declarações dos próprios empresários ou estimativas da imprensa, e não dados provenientes de relatórios auditados.

É importante compreender que faturamento não significa lucro. Uma empresa pode ter receitas muito altas, mas também possuir custos igualmente elevados com:

  • marketing digital

  • logística e distribuição

  • produção industrial

  • royalties de influenciadores

  • comissões de afiliados.


Sem relatórios contábeis auditados, não é possível saber:

  • margem de lucro real

  • volume de despesas operacionais

  • estrutura financeira da empresa.


No setor de cosméticos existem exemplos de empresas que adotam alto nível de transparência financeira, principalmente porque são companhias abertas ou possuem grande porte. Entre elas estão: Natura &Co. O Boticário. The Body Shop entre outras... Essas empresas publicam regularmente balanços financeiros, relatórios anuais, demonstrações de resultados e auditorias realizadas por empresas independentes.


Nesse contexto, a realização de auditorias pode ser vista não apenas como uma exigência regulatória, mas também como uma estratégia de fortalecimento institucional.

A ausência de auditorias públicas em empresas privadas do setor de cosméticos não representa irregularidade, pois a legislação brasileira não exige essa divulgação na maioria dos casos. Entretanto, quando marcas ganham grande visibilidade e divulgam números expressivos de faturamento, surge naturalmente o debate sobre transparência financeira e governança corporativa.


Enquanto empresas consolidadas como Natura &Co e O Boticário adotam auditorias independentes e publicam relatórios detalhados, muitas marcas digitais ainda operam com informações financeiras restritas ao ambiente interno.

O avanço desse novo modelo de negócios poderá definir, nos próximos anos, se a transparência financeira se tornará um padrão também para as empresas de cosméticos que surgiram no ambiente das redes sociais.


Texto: mostb.com


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